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E então, tudo vira música: uma experiência com instrumentos não convencionais

E então, tudo vira música: uma experiência com instrumentos não convencionais Roberta Jorge Luz Uma atividade que uniu Arte, sustentabilidade e criatividade mostrou que aprender música pode começar com objetos do cotidiano que ganham novos…

E então, tudo vira música: uma experiência com instrumentos não convencionais

E então, tudo vira música: uma experiência com instrumentos não convencionais

Roberta Jorge Luz

Uma atividade que uniu Arte, sustentabilidade e criatividade mostrou que aprender música pode começar com objetos do cotidiano que ganham novos significados por meio da criação artística.

Quem olha para uma garrafa PET, uma lata ou uma caixa de papelão dificilmente imagina que esses objetos possam se transformar em instrumentos musicais. Mas foi justamente essa mudança de olhar que a professora Eli Moraes promoveu com seus estudantes da ECIM EE Prof. Lauro Sanchez, em Sorocaba (SP), ao desenvolver um projeto que integrou música, sustentabilidade e ensino de arte.

A experiência nasceu durante as aulas de Arte com turmas do 6º ano do Ensino Fundamental, a partir dos conteúdos sobre sonoridade, timbre e ritmo previstos no Currículo Paulista. Mais do que ensinar conceitos musicais, a proposta convidou os estudantes a perceberem que o mundo está repleto de sons esperando para serem descobertos.

O primeiro desafio foi provocar uma reflexão: será que tudo aquilo que chamamos de lixo realmente perdeu sua utilidade? A pergunta abriu caminho para uma investigação sobre os sons produzidos por objetos do cotidiano, incentivando os alunos a explorarem diferentes materiais antes mesmo de iniciarem a construção dos instrumentos.

Para ampliar o repertório da turma, a professora apresentou vídeos de grupos que transformam objetos comuns em música, como o GEM – Grupo Experimental de Música, os Embatucadores e o renomado grupo internacional Stomp. As apresentações surpreenderam os estudantes e mostraram que a criatividade pode atribuir novos significados a objetos aparentemente comuns quando a arte entra em cena.

Na sequência, a teoria deu lugar à prática. Utilizando objetos e materiais previamente selecionados para serem reutilizados, os estudantes planejaram e confeccionaram seus próprios instrumentos musicais. Durante o processo, exploraram sons, experimentaram diferentes formas de produzir ritmos e compreenderam, na prática, como cada material possui características sonoras próprias.

O resultado foi uma verdadeira demonstração de criatividade. Violões, violoncelos, guitarras, harpas, tambores, pandeiros, flautas, castanholas e diversos outros instrumentos surgiram a partir de objetos e materiais que poderiam ter sido descartados. Cada produção refletia a personalidade e a imaginação de seu autor, mostrando que não existe uma única forma de criar.

Depois de concluídos, os instrumentos ganharam vida em uma apresentação coletiva. A sala de aula transformou-se em um espaço de experimentação musical, onde cada estudante pôde compartilhar sua criação e participar de uma grande vivência sonora. Em seguida, os trabalhos foram expostos no palco da escola, permitindo que toda a comunidade escolar conhecesse e valorizasse as produções dos estudantes.

Embora o aprendizado sobre música tenha sido um dos principais objetivos, os resultados ultrapassaram as expectativas da professora. Ao longo do projeto, os estudantes exercitaram a criatividade, a autonomia, o trabalho colaborativo e a resolução de problemas. Além disso, foram incentivados a refletir sobre os padrões de consumo, o reaproveitamento de materiais, a redução do desperdício e a importância de atitudes mais sustentáveis no cotidiano.

Mais do que construir instrumentos musicais, os alunos aprenderam a observar o potencial criativo dos objetos do cotidiano, compreendendo que a Arte é capaz de atribuir novos sentidos a qualquer objeto, transformando -os em experiências de criação, expressão e aprendizagem

Outro aspecto que chamou a atenção foi o impacto da atividade nas relações entre os estudantes. Aqueles que normalmente participavam pouco das aulas encontraram, na construção dos instrumentos e nas apresentações, uma oportunidade para se expressar, fortalecer a autoestima e interagir com os colegas de forma mais confiante.

Experiências como essa reforçam que a Arte pode ser uma poderosa ferramenta de transformação. Quando o currículo dialoga com situações concretas da vida dos estudantes, a aprendizagem torna-se mais significativa, participativa e prazerosa. Como afirma Ana Mae Barbosa (1995), “através das artes é possível desenvolver a percepção e a imaginação, apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada” (Barbosa, 1995, p. 13). Nessa perspectiva, mais do que construir instrumentos musicais, os alunos aprenderam a observar o potencial criativo dos objetos do cotidiano, compreendendo que a arte pode possibilitar aos seres humanos a elaboração de novos sentidos e significados por meio da criação artística.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos. Educação e desenvolvimento cultural e artístico. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, 1995. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71713. Acesso em: 2 ago. 2026.

Algumas imagens do Projeto

Exposição dos instrumentos musicais confeccionados pelos estudantes

Fonte: Elisangela de Moraes Silvério 

Apresentação dos estudantes

Fonte: Elisangela de Moraes Silvério

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