Os jogos teatrais e a expressão das crianças e suas emoções.
ProfªMs. Lindy Barboza de Souza.
Há mais de 20 anos estou em sala de aula como Professora de Artes Cênicas, portanto, são muitos anos dedicados a uma área do conhecimento que muitos renegam, mas a querem. Nestes 20 anos, são incontáveis projetos realizados com crianças do Ensino Fundamental, em específico, alunos dos terceiros, quartos e quintos anos de escolas públicas dos municípios de São Caetano do Sul e Guarulhos, duas redes municipais nas quais construí um legado, que talvez não fique para a posteridade, mas sei que estará na memória de muitos estudantes que passaram pelas oficinas de Artes Cênicas ou pelas aulas de Artes, onde não se desenhava com papel e lápis, e sim com o corpo. Frase que disse uma vez a uma aluna que perguntou por que, na minha aula, não se desenhava, e respondi: “Mas nós desenhamos na aula, desenhamos com o corpo, com o espaço e com os jogos!”
Enfim, entre muitas experiências propostas, no ano de 2025, propondo jogos que levassem os alunos a pensar suas emoções e sentimentos, trabalhamos os filmes Divertidamente I e II. A maioria das crianças assistiu aos filmes na própria escola e gostava de imitar alguns personagens. Eram alunos dos terceiros e quartos anos do Ensino Fundamental. Assim, criei um jogo que mesclava os jogos teatrais de Viola Spolin com a história da personagem Riley (protagonista do filme) e os outros personagens, que são as emoções (Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho).
O jogo estava nos parâmetros do QUEM?, ONDE? e O QUE FAZEM?, princípios do jogo teatral, e as propostas também trabalhavam o espaço e como nosso corpo ocupa este espaço. Foram duas séries de 20 jogos cada uma, que resultaram no Desfile das Emoções. Divididos em grupos das emoções (personagens), eles podiam criar o figurino, improvisar cenas e demonstrar como eram os personagens.
A atividade envolveu os alunos, e eles se dedicaram a representar cenas do filme. Após o período de preparação, chegou o dia do Desfile. A apresentação foi uma performance na qual as crianças puderam expressar de forma livre como entendiam os personagens e o processo das emoções em suas próprias mentes, com cenas, coreografias e improvisações. Um momento lúdico, mas de muita reflexão sobre como as crianças se importam e querem falar dos seus sentimentos e emoções. Os jogos propiciaram este momento e esta vivência.
Penso sempre como é importante criar e fortalecer estes espaços e como o nosso campo da arte é generoso nos processos de aprendizagem dos estudantes e na experiência artística.
Espero que este breve relato possa ser uma pequena contribuição.
ProfªMs. Lindy Barboza de Souza.


