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Obrigado por tudo professora Iveta!

Joab BarbosaProfessor da rede Estadual de São Paulo e apresentador do Podcast da OPAE            Hoje tenho uma difícil missão de escrever sobre minha querida professora Iveta, que partiu para um lugar melhor. Difícil missão por…


Joab Barbosa
Professor da rede Estadual de São Paulo e apresentador do Podcast da OPAE

           Hoje tenho uma difícil missão de escrever sobre minha querida professora Iveta, que partiu para um lugar melhor. Difícil missão por três motivos: o primeiro é porque estou escrevendo por conta de sua partida, o segundo motivo é porque estou escrevendo sobre uma das maiores educadoras musicais deste país. E o terceiro motivo é porque ela era uma pessoa muito querida que marcou minha vida.

           O primeiro contato que tive com a professora Iveta foi no dia da entrevista para o ingresso no Mestrado Profissional em Artes (Profartes), programa o qual ela viria ser minha orientadora. Lembro-me de estar muito nervoso para a entrevista, mas lembro de como as professoras (Rejane e Iveta) foram acolhedoras e gentis. A professora Iveta iniciou a conversa com um carismático sorriso que, para mim, sempre foi sua marca pessoal. Quando saí da entrevista, não sabia se havia sido aprovado, mas soube que a universidade poderia ser um lugar para mim, pois além de promover meu desenvolvimento profissional, haviam ali, pessoas gentis, humanas e acolhedoras e esse acolhimento me fez querer voltar mais vezes.

           Ao ser aprovado, marcamos a primeira reunião, e conversamos sobre música, sobre a vida e sobre o campo da pesquisa em música. Este início foi muito marcante, pois a professora Iveta, sem saber, desmistificava diversos mitos que havia alimentado sobre universidades e pesquisa científica. E neste primeiro momento, já percebi duas características marcantes da professora que iriam nos acompanhar durante todo o processo do mestrado, a gentileza e a paciência. Características que ela exercitou durante todo o percurso do mestrado, fosse em um erro óbvio que cometi, quanto em algo mais complexo como fazer a fundamentação teórica de uma dissertação.

           Ao longo dos anos no mestrado, nosso contato era semanal, ou por e-mail, ou por ligações ou presencialmente. O contato se dava pela orientação da pesquisa e por outros assuntos e etapas do mestrado, pois a professora Iveta sempre nos acompanhou e auxiliou nas disciplinas, nas documentações, organização de horários e materiais de estudo, contemplando toda a jornada do mestrado. Outro ponto marcante de nossas conversas semanais, eram as indicações de eventos, artigos, livros que a professora sempre tinha o cuidado e gentileza de nos sugerir, ou até mesmo doar. Muitas vezes, íamos à sua casa para pegarmos livros que ela havia nos doado e ela sempre nos recebia com um delicioso bolo de milho e café da tarde.

           Além desse cuidado com as questões acadêmicas, a professora se preocupava muito com nosso bem estar, tentando contribuir para continuarmos bem. Um certo dia, depois de uma reunião presencial, a professora Iveta me enviou um e-mail se mostrando preocupada com minha saúde, pois eu estava muito cansado com o final do semestre. No e-mail a professora perguntava como eu estava e se havia alguma maneira dela me ajudar naquele momento, sem saber que somente pelo fato de ter enviado aquele e-mail, já havia contribuído e muito para minha melhora.

           A disciplina em que a professora Iveta lecionou no mestrado, “música e escola na formação de professores de música”, iniciou com uma grande indagação: “Quais as competências gerais necessárias para o professor de música?”. Competências que a professora dominava tão bem, pois era especialista em formação de professores de música, e sobretudo, as dominava tão bem porque as exercitava na prática e no cotidiano com seus alunos.

            Foram muitas experiências e aprendizados vividos neste período com a professora Iveta, que soube nos conduzir e auxiliar neste processo, permeando-o de gentileza, bondade, generosidade. Levo comigo todos os aprendizados musicais e pedagógicos, mas levo também, um exemplo de professora, pessoa, amiga e profissional a ser seguido. E por último, guardarei em minha memória o sorriso carismático e receptivo em que ela sempre nos recebia. Me despeço dela com a frase que ela utilizou em um dos últimos e-mails que trocamos: “um grande e afetuoso abraço”. Obrigado por tudo professora Iveta!

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